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Última Paragem

O blog do bicho do mato

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Última Paragem

20
Mai24

Não, não pode

Maria J. Lourinho

Também eu já participei aqui no debate que anda pelo país, depois das acusações feitas por Ventura aos turcos, e da autorização dada pelo Presidente da Assembleia da República para isso e muito mais, ao dizer que o deputado André Ventura tem “absoluta liberdade de expressão para se exprimir” e ao responder a Alexandra Leitão "no meu entender, pode" (ter um discurso racista ou xenóbofo)

Claro que no meu entender, não, não pode. E no entender de Aguiar-Branco também não poderá quando o deputado se lembrar de  dizer que os judeus são gananciosos, ou que o próprio Aguiar-Branco nunca se distinguiu pela honestidade - mentiras que na boca de Venturas passam a ser verdades.

Nesse dia, tenho a certeza, vamos voltar a falar sobre “absoluta liberdade de expressão para se exprimir”.

É que pimenta...etc e tal...já sabemos o resto.

24
Jan23

Denzel Washington e Madame Bovary

Maria J. Lourinho

Nomes e mais nomes: cisgénero, transgénero, não-binário, género neutro. E depois poliamoroso, demissexual, arromântico, flúido, e ainda uma infinidade de outras categorias, quer de género quer sexuais, são hoje termos que nos entram pelos sentidos como uma emergência, quando não como a temática mais importante da humanidade.

Foi no início dos anos 1980 do século passado que Margaret Thatcher começou a destruir a sociedade tal como ela se tinha construído no pós-guerra, com a afirmação de um pensamento diverso e mais egoísta, perfeitamente ilustrado por esta sua bem conhecida frase:

 Who is society? There is no such thing! There are individual men and women and there are families

Hoje podemos dizer que o seu pensamento vingou nas sociedades liberais, mas nem ela conseguiu acertar em cheio, pois só previu homens e mulheres. E nem lhe passava pela cabeça o lugar central que a identidade viria a assumir e como seria grave não a ter em atenção.

Se lhe falassem em questões de género, teria, certamente, respondido de novo:

There is no such thing!

Mas há, sem dúvida. O drama é que estas questões estão a ser levadas a extremos que as pessoas comuns não entendem e, por isso mesmo, acabarão por rejeitar com veemência.

Abordar estes temas, explicar, e deixar que, aos poucos, as pessoas os entendam e assimilem, é uma coisa, (e todos temos a ganhar com o reconhecimento duma sociedade mais diversa), impor e cancelar é outra bem diferente, própria de sociedades totalitárias de má memória.

E quando uma companhia de teatro, como o Teatro do Vão, aceita que andou mal, e se penaliza e concede que um papel de transsexual só pode ser representado por alguém transsexual devia ser proibida de fazer teatro, por não ter percebido o elementar - teatro é representação, a arte, de uma maneira geral, é representação. E se não percebeu isso, não percebeu nada. Se, em 2023, ainda não percebeu (passe o exagero) que Denzel Washington podia fazer o papel de Madame Bovary desde que o fizesse bem, insisto, ainda não percebeu nada - nem de representação,  nem de arte, nem do mundo em que vive. 

Só se agarra ao ar do tempo. E mal.

 

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