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Última Paragem

O blog do bicho do mato

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Última Paragem

15
Fev23

Eu acreditei no Pai Natal

Maria J. Lourinho

No jornal Público de 9/02/2023, li um artigo sobre as condições de trabalho dos trabalhadores do Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia da Fundação EDP.

Leio:

Jornadas de trabalho de nove horas em pé, 15 minutos de pausa para almoço, "assédio laboral", cortes nos horários e nos rendimentos, uma equipa de 24 pessoas "a falsos recibos verdes". 

Muitos destes trabalhadores são estudantes, que trabalham para pagar os estudos.

Quando internamente fizeram algumas reivindicações, ouviram:

‘Vejam lá, porque se continuarem a fazer isto cortamos os vossos horários para metade, e assim já não têm razões para pedir cadeiras e pausas de almoço'”, aponta Marta Antunes.

Pedir uma cadeira, como acontece em qualquer museu do mundo, e uma pausa para almoço, é ser dum perigoso extremismo, é um pedido estapafúrdio para estes (ir)responsáveis - a responsabilidade social das empresas é "cena que não lhes assiste".

Passa-se isto numa empresa que só nos primeiros nove meses de 2022 teve 518 milhões de lucro, que criou uma fundação que tem muito dinheiro e construiu aquele espaventoso e caríssimo edifício à beira-rio.

Nada contra o lucro e o edifício (que é belo), tudo contra os comportamentos de quem exerce o seu pequeno poder de modo vil e mesquinho.

Eu ainda sou do tempo em que acreditámos que o país havia de ser justo e com tendência igualitária. 

Um bocado antes, também acreditei no Pai Natal.

Artigo do jornal aqui

07
Jul21

Velha (Alte Frau)

Maria J. Lourinho

Alte Frau.jpg

No seu livro de crónicas e ensaios Sinta-se Livre, Zadie Smith escreve sobre a representação da mulher na pintura e escolhe este trabalho de Balthasar Denner (Alemanha, 1685 – 1749), intitulado Alte Frau (Velha), e cito:

...”Não é como outros retratos no seu género. Não é o retrato reconfortante de uma avozinha. E também não é a imagem simbólica e animadora da sabedoria ou, pelo menos, se ela é, de facto, uma das menos enganadas, não parece que a forma de conhecimento que adquiriu lhe tenha trazido muita paz ou satisfação, como esperamos que a sabedoria traga.

Ela não tem um ar pacífico ou satisfeito. Aquela boquinha cerrada! Ela não olha com um optimismo paciente...e também não é grotesca ou cómica. Não. Ela, simplesmente, é.”

Assim deveríamos envelhecer todas, penso com os meus botões, simplesmente SENDO.

Mas, também, cada uma de nós devia ter direito ao seu Denner para registo de cada ruga numa obra-prima imortal. Porquê?

Ora, ora, porque, depois do tanto que são as nossas vidas, nós merecemos.

Imagem - Alte Drau, Balthasar Denner, Kunsthistorisches Museum, Viena

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