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Última Paragem

O blog do bicho do mato

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Última Paragem

01
Mai24

Paul Auster 1947-2024

Maria J. Lourinho

Paul 2.jpg

Nos anos 1990, comecei por ler um mini-livro que se chamava O Caderno Vermelho.

Meia  dúzia (nem tanto, talvez) de acontecimentos casuais. Começou aí a minha "febre" Paul Auster. Acho que li tudo o que estava publicado, e o que continuou a ser publicado, com verdadeira devoção.

Paul Auster era o escritor do acaso, narrado em sucessivas histórias de cadência narrativa pior que cola-tudo; era-me impossível largar o livro e a história.

Devo-lhe muitas horas de puro prazer literário.

Morreu ontem, de cancro, aos 77 anos.

Obrigada, Paul.

01
Abr24

O senhor leitor

Maria J. Lourinho

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Encontro no Instagram um senhor, que nem me parece já muito novo, que faz questão de todos os meses publicar a lista dos livros que leu nesse mês.

Houve uma vez em que  me armei em miúda impertinente e lhe perguntei se cada livro tinha 20 páginas.

Ficou muito ofendido, claro, e eu calei-me (sei que nem devia ter chegado a falar, mas tentação é tentação).

Num post lá mais atrás, publicou que os livros lidos em 2023 foram 111 (Ena!)

Ontem, publicou a sua lista de Março 2024. Eram doze, ou seja, dividindo, 3 livros por semana.

Ora, eu considero-me uma razoável leitora, e por isso fui olhar a estante e, sem delongas, calculei que este ano, (em 3 meses, portanto), devo ter lido 10 ou 11 - num trimestre, menos que este senhor num só mês. Caso para me autoflagelar - Sua preguiçosa!

Voltando ao caso em apreço, mesmo que o senhor não faça mais nada na vida, é preciso arranjar tempo para comer, dormir, cuidar da higiéne, e andar, pelo menos, numa rede social. 

E o resto é para a leitura.

Posto isto, de cada vez que o senhor me aparece com a sua lista, não consigo deixar de pensar que, das duas umas: ou ele nos está a enfiar um barrete, ou fica mais barato engordar um burro a pão-de-ló.

Vou mais pela primeira; até porque é a única que, no fim de contas, me diverte e me faz rir.

09
Mar24

Leitura e liberdade

Maria J. Lourinho

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"Porque é que ler conta, e muito, para a liberdade?
Ler, uma actividade em extinção, por muito que as livrarias estejam cheias de feéricas capas, por muito que se diga a gigantesca asneira de que ler num ecrã de telemóvel é o mesmo que num livro (experimentem a Montanha Mágica ou a Guerra e Paz…), ou que a “geração mais preparada” pode fazer um curso superior sem ler um livro (bem, dois, três e já é muito), e por aí adiante. Falar e escrever bem também estão em extinção, com a redução do vocabulário circulante a pouco mais do que os antigos 140 caracteres do Twitter, agora 280 no X, o que vai dar ao mesmo – a enorme dificuldade de expressão que se vê todos os dias e por todo o lado. Qual é o problema? É que quem não lê, não fala e não escreve decentemente, é menos livre, mais facilmente manipulado, menos eficaz em coisa alguma importante, mais fácil de ser mandado e de não mandar nem em si próprio. Ou seja, repito, menos livre."

Pacheco Pereira, Público, 9 Março 2024

24
Jan24

A História nunca acaba

Maria J. Lourinho

Isabel Lucas: "Nunca é dito, mas é claro que estamos em vésperas das eleições de 2016 que elegeram Donald Trump. Finn faz parte de uma geração frustrada, a lidar com um sentimento de fracasso e, ao mesmo tempo, uma espécie de impotência..."

Lorrie Moore: 
"O que eu queria dizer é que quando um país passa por uma guerra civil, ela nunca acaba. O fenómeno Trump continua a ser uma espécie de guerra civil. Há uma parte deste país, há uma parte da Confederação, da Guerra Civil do século XIX, que nunca desistiu e que controlou a narrativa durante muito tempo, apresentou a sua causa como nobre e construiu estátuas, que só agora começam a vir abaixo, dos heróis confederados do século XIX. São todas de supremacistas brancos. Essa parte da história americana começou agora a ser reexaminada e vemos Trump como parte de uma espécie de ressurgimento da Confederação ou de uma Confederação que esteve sempre viva no nosso país. As guerras civis não resolvem exactamente coisas, fazem o melhor por resolver, mas muita energia flui, subterrânea. O livro está a olhar para uma série de coisas que não morrem."

Pequeno excerto de uma entrevista que a escritora Lorrie Moore, americana, deu à jornalista Isabel Lucas para o jornal Público, a propósito do lançamento em Portugal do seu livro "Não Tenho Casa se Esta Não For a Minha Casa". Ajuda a perceber.

NÃO HÁ DEMOCRACIA SEM JORNAIS E JORNALISTAS.

E ELES VIVEM EM PERIGO DE MORTE.

O QUE PODEMOS FAZER É

ASSINAR UM JORNAL, QUALQUER UM!

28
Dez23

Balanço de leituras

Maria J. Lourinho

livros.jpg

Este foi um dos anos em que mais li. Li muitos e muito bons livros.

Quem, como eu, gosta de ler, nunca está sozinho e nunca se aborrece.

Desejo a todos um 2024 sempre em boa companhia.

É tempo de balanços, mas não sou criatura de escolher só um; por isso escolho uma dúzia.

A Vida Brinca Comigo – David Grossman

A Sonata de Kreutzer – Tolstói

O Passageiro – Cormac McCarthy

Hamnet - Maggie O´Farrell

Contos Escolhidos – Carson McCullers

A Filha do Capitão – Alexander Pushkin

Mrs. Osmond – John Banville

Triologia de Copenhaga – Tove Ditlevsen

Limpa – Alia Trabucco Zerán

Vínculos Ferozes – Vivian Gornick

Uma Porta nas Escadas – Lorrie Moore

Festa no Jardim e outros contos – Katherine Mansfield

28
Set23

Se isto é um escritor...

Maria J. Lourinho

Nota prévia: eu não quero transformar este blogue numa compilação de Crónicas de Escárnio e Maldizer mas, como diz o povo, "as coisas são o que são" e "dos felizes não reza a história". Portanto, lá vai.

O título deste post vampiriza o título de um grande livro de um grande escritor - SE ISTO É UM HOMEM, de Pimo Levi, mas foi a frase que me veio à cabeça quando li, no Instagram da Bertrand Livreiros, um post com o seguinte texto:

"Gostei de colocar a hipótese de os livros serem como bichos. Isso faz deles o que sempre suspeitei: os livros são objectos cardíacos. Pulsam, mudam, têm intenções, prestam atenção. Lidos profundamente, eles estão incrivelmente vivos. Escolhem leitores e entregam mais a uns do que a outros. Têm uma preferência. São inteligentes e reconhecem a inteligência."

valter hugo mãe, in Contos de cães e maus lobos

E pergunto-me: como se pode escrever tanta parvoíce, tanta vacuídade e ter o beneplácito do meio?

O que são objectos cardíacos? Os livros escolhem os leitores como? a olho? Se eu e o valter escolhermos o mesmo livro ele "entrega"  mais ao valter do que a mim? O que posso fazer para ele me "entregar" mais do que ao valter? Ando à briga com o valter? E o que é isso da "entrega"? é dos CTT Expresso?  E se o livro não me achar inteligente? O livro tem preferência assim como, por exemplo, eu prefirir o pastel de nata sem canela, é isso?

Esta escrita não é só uma mão cheia de nada. Entra já no reino do absurdo.

Costumo dizer que mais vale ler livros maus do que não ler nada. O valter deixa-me a milímetros de mudar de opinião.

 

 

 

29
Jun23

O Tempo

Maria J. Lourinho

Fiz anos há poucos dias, e sinto exactamente isto:

 “Não me parece que haja alguma maneira de nos prepararmos para a morte. Cada qual tem de inventar uma maneira. (...) Aquilo com que estamos a lidar — o tempo — não possui maleabilidade alguma. À parte o facto de que, quanto mais tempo albergamos em nós, menos tempo temos”.

Dito por Cormac McCarthy, citado por Pedro Mexia no Expresso de 23/6/2023

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