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Última Paragem

O blog do bicho do mato

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Última Paragem

16
Out23

Mistura de sentimentos

Maria J. Lourinho

Já por várias vezes vimos na televisão imagens dos hospitais de Gaza.

Ontem, foi transmitida uma pequena peça sobre os médicos que não vão retirar porque se recusam a abandonar os bebés internados. Se eu conseguisse abstrair dos imensos dramas por trás da reportagem, teria ficado apenas bastante agradada, e até orgulhosa, com as instalações que vi – camas novas e limpas, ambiente claro e arejado, equipamento moderno e em profusão.

E por que ficaria tal coisa, isto é, agradada e orgulhosa? Porque muito do que vejo também foi feito com dinheiro meu - a Europa tem sido quem mais tem ajudado os palestinianos em tantos anos de conflitos e sofrimento.

Na maior parte do tempo – mas nem sempre - continuo a ter orgulho de ser europeia, e agradada por podemos ajudar outros. Apenas lamento que um país dessa mesma Europa, Portugal, não seja capaz de cuidar de si mesmo.

Quando em 2017 estive internada no Hospital de Santa Maria, em Medicina II, gostava muito, mesmo muito, de ter tido as condições que tenho observado em Gaza. Fica-se até envergonhado quando comparamos.

E facilmente concluimos que ser pobre não é apenas uma questão de dinheiro. 

PS: O que eu vi pode ser visto aqui

17
Fev23

Mais fácil que tirar o passaporte

Maria J. Lourinho

Adam Graham violou duas mulheres. Mudou de nome e de roupa, passou a usar uma peruca e apresentou-se no tribunal como Isla Bryson, mulher trans. O juiz dirigiu-se ao violador como “Sra. Bryson”, enviando-o para uma prisão feminina.”

Este pequeno excerto foi retirado do longo texto de Daniel Oliveira, ontem, no Expresso online.

A história de Adam Graham passou-se na Escócia e, em boa medida, levou à queda recente da primeira-ministra socialista.

As políticas de identidade levadas ao limite, estão a deixar as nossas sociedades ocidentais também nos limites da própria sanidade.

Na Escócia, segundo a lei da autodeterminação da identidade e expressão de género,basta uma pessoa declarar-se, a qualquer momento e sem qualquer condição, de outro género para isso ter efeito legal.” Ou seja, eu sou mulher, mas se amanhã me sentir homem, mudo de nome e aspecto, passo a ser homem e todos me devem tratar como tal. Pronto! Mais simples é impossível (em Portugal é mais complicado tirar o passaporte).

Voltando ao pensamento do cronista, que faço meu, dá vontade de perguntar:

E se a esquerda política, sem deixar de apoiar as reais dificuldades de todas as minorias, voltasse à luta pelos mais fracos, por quem trabalha e é pobre, nunca tirando os olhos das graves questões sociais que perpassam toda a Europa e se deixasse de me****?

Nota: este artigo do Expresso é exclusivo para assinantes, daí não haver link

26
Set22

Europeus como eu

Maria J. Lourinho

Os europeus de barriga cheia andam indignados com tantos imigrantes. Assim sendo, pumba!, votam na extrema-direita xenófoba. Ontem em Itália, antes, na sempre exemplar Suécia.

Dantes, ficava preocupada; agora, vou sentindo um desprezo cada vez mais profundo por estes eleitores europeus como eu.

Mas gostava que, ao menos uma vez, se lhes fizesse o gosto - sem imigrantes - aí durante um mês antes das eleições.

Ficariam sem pessoal para lhes varrer o chão, despejar o lixo, limpara as latrinas públicas, apanhar a fruta, servir à mesa, lavar os tachos,  limpar o rabo dos doentes, empurrar as macas, levar a comidinha Uber a casa.

E depois já podiam ir votar.

10
Mai21

Europa

Maria J. Lourinho

Não poucas vezes, na minha cabeça, visualizo a Europa como uma velha senhora daquelas com mãos nodosas e artríticas que, na fila do supermercado, a custo tiram as moedas da carteira.

Levam muito tempo e parecem estar sempre de má vontade.

Depois, quando oiço dizer, como hoje, que USA, Israel e Grã-Bretanha estão mais avançados na vacinação porque ainda não exportaram uma só vacina (sendo países produtores), e que  “Até hoje, na União Europeia, foram produzidas 400 milhões de doses de vacinas, e 50% delas foram exportadas para 90 países diferentes no mundo",  nessa altura, dizia eu, perdoo a senhora idosa, lenta e muitas vezes avarente.

 E penso sempre duas coisas:

Apesar de tudo, é melhor estar dentro do que fora.

Esta ainda é a melhor parte do mundo para viver.

13
Abr21

A ministra sueca

Maria J. Lourinho

Há dias, a Ministra das Finanças sueca deu ao Público uma entrevista sobre o regime fiscal dos suecos que vivem em Portugal e que não pagam IRS em nenhum dos dois países, ou pagam pouco.

Dizia a ministra:

Se um doente sueco e um doente português estiverem lado a lado num hospital [em Portugal], o português pagou impostos pelos dois, porque os suecos têm todos os direitos — cuidados de saúde, transportes públicos —, mas não pagam impostos.”

Apetecia-me responder à ministra que, apesar de considerar este regime imoral, o que ela diz é apenas uma meia verdade, porque o sueco pagou aqui alguns impostos por via dos gastos feitos com a sua recheada carteira, o que sempre nos dá muito jeito.

Mas gostava também de lhe dizer que a cena do sueco caído no hospital público português é pura ficção. A acontecer, o homem fugiria rapidamente para um hospital privado ao ver-se rodeado de tantos velhos portugueses sem dentes, carcomidos por anos de trabalho e exploração desenfreada, pouca instrução e que, tal como ele, sueco, também nunca pagaram IRS, mas por via dos seus muito baixos rendimentos.

Seria uma enfermaria cheia de gente que não paga IRS.

Porém, senhora ministra, se nem o seu sueco milionário nem os nossos velhos pobres, pagam IRS, nem mesmo assim nós os deixámos morrer durante a pandemia, ao contrário do seu civilizado e rico país, que os deixou morrer aos milhares, convencido que esse era o modo mais rápido e barato de atingir a imunidade de grupo.

O referido regime fiscal é, de facto, iníquo, mas sabe, senhora ministra, os pobres às vezes, para comerem, têm que saltar o muro e roubar fruta.

E os vossos discursos, cheios superioridade moral mal disfarçada, já não colhem, nesta nossa Europa de egoísmos individuais e do salve-se quem puder.

É um verdade triste, mas é assim.

 

10
Abr21

A humilhação de Ursula foi a humilhação de todas nós

Maria J. Lourinho

1572301[1]

Ao desconsiderar Ursula Von der Leyen, não lhe atribuindo a cadeira protocolar numa reunião de alto nível e mandando-a para o sofá lateral, confirmamos o que já sabíamos - que Erdogan é um um ditador e um misógino.

O que eu, pessoalmente, não sabia ainda é que Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, é um totó contentinho e impreparado que nos envergonha.

Se esta é a Europa a que pertenço, então eu quero ser esquimó.

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