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Última Paragem

O blog do bicho do mato

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Última Paragem

24
Jan24

A História nunca acaba

Maria J. Lourinho

Isabel Lucas: "Nunca é dito, mas é claro que estamos em vésperas das eleições de 2016 que elegeram Donald Trump. Finn faz parte de uma geração frustrada, a lidar com um sentimento de fracasso e, ao mesmo tempo, uma espécie de impotência..."

Lorrie Moore: 
"O que eu queria dizer é que quando um país passa por uma guerra civil, ela nunca acaba. O fenómeno Trump continua a ser uma espécie de guerra civil. Há uma parte deste país, há uma parte da Confederação, da Guerra Civil do século XIX, que nunca desistiu e que controlou a narrativa durante muito tempo, apresentou a sua causa como nobre e construiu estátuas, que só agora começam a vir abaixo, dos heróis confederados do século XIX. São todas de supremacistas brancos. Essa parte da história americana começou agora a ser reexaminada e vemos Trump como parte de uma espécie de ressurgimento da Confederação ou de uma Confederação que esteve sempre viva no nosso país. As guerras civis não resolvem exactamente coisas, fazem o melhor por resolver, mas muita energia flui, subterrânea. O livro está a olhar para uma série de coisas que não morrem."

Pequeno excerto de uma entrevista que a escritora Lorrie Moore, americana, deu à jornalista Isabel Lucas para o jornal Público, a propósito do lançamento em Portugal do seu livro "Não Tenho Casa se Esta Não For a Minha Casa". Ajuda a perceber.

NÃO HÁ DEMOCRACIA SEM JORNAIS E JORNALISTAS.

E ELES VIVEM EM PERIGO DE MORTE.

O QUE PODEMOS FAZER É

ASSINAR UM JORNAL, QUALQUER UM!

14
Jun21

Clássico é

Maria J. Lourinho

“O clássico ultrapassa os limites temporais, retém um significado para as épocas vindouras, vive. Emerge, ileso, do processo de ser posto à prova dia após dia.

Embora atravesse épocas obscuras, a sua continuidade não se quebra. Ultrapassa mudanças históricas, até sobrevive ao beijo da morte da sua consagração por parte de fascismos e ditaduras.

Algo continua a impressionar-nos nos filmes propagandísticos de Eisenstein para os comunistas soviéticos, ou nos de Leni Riefenstahl para os nazis.”

Irene Vallejo

O Infinito num Junco

E se isto é verdadeiro para filmes, livros, ballet, etc., não o é menos para um conjuntinho Chanel. 

Este pequeno excerto que escolhi quase não tem que ver com o livro citado, mas gostei dele. Sobre o livro propriamente, O Infinito num Junco, de que a minha amiga Helena tanto gostou, eu posso dizer que apenas gostei.

É um hino ao livro, às bibliotecas, e um documento importante que faz a história de ambos, enquanto nos leva numa viagem ao passado, ao nosso passado comum, revisitando gregos, romanos e o grande Alexandre.

Porém, encontro no livro o defeito que encontro em quase todos os livros e autores espanhóis – é palavroso, demasiado longo, o que o faz, em alguns momentos, chato.

Mas eu sou a tal que acha sempre que menos é mais.

 

03
Mai21

Via rápida para perder a razão

Maria J. Lourinho

Nos últimos dias, nas redes sociais, caiu com estrondo um post da jornalista Joana Emídio Marques, no Facebook, sobre o assédio sexual que sofreu por parte de um conhecido editor português. A revista Sábado deu amplo destaque ao assunto.

Mulher que sou, e desde sempre defensora dos meus direitos, que considero serem exactamente os mesmos dos homens, também eu entendo que chegou o tempo de pôr fim ao “comer e calar” que sempre existiu na nossa sociedade, isto é, as mulheres devem falar, sim, denunciar e, se for possível apresentar queixa.

Se o nome dos abusadores (não confundir com violadores) deve ser posto na praça pública para o respectivo linchamento público, é coisa que me deixa muitas dúvidas, mas não condeno nem defendo porque acredito que só quem vive a situação sabe como deve actuar, segundo a sua personalidade, a sua humilhação, a sua dor.

Porém, a jornalista, a dado passo do post, escreve:

No meio literário, por exemplo, toda a gente sabe que Manoel de Oliveira assediava e perseguia as suas jovens colaboradoras. Que Saramago, David Mourão Ferreira, Urbano Tavares Rodrigues assediavam mulheres e não sabemos sobre quantas usaram o seu poder para obter favores sexuais.”

Todos mortos!

Manoel de Oliveira teria agora 112 anos, José Saramago 99, David Mourão Ferreira 94, e Urbano Tavares Rodrigues 98 anos. Ora, todos estes nomes fazem parte da nossa memória colectiva, todos pertencem à galeria dos nossos intelectuais, todos são nomes da nossa cultura no campo das artes e sobretudo das letras, todos têm família viva, e todos foram homens do seu tempo.

Querer analisar comportamentos desse tempo à luz dos valores de hoje parece-me estúpido, trazer a público os seus nomes sem poder pedir-lhes contas, nem permitir defesa, porque estão mortos, não é sequer mau gosto, é malvadez, e para isso não encontrarei nunca uma justificação.

Trilhar este caminho é, parece-me, usar uma via rápida para perder a razão.

13
Fev21

Viagem ao Sonho Americano

Maria J. Lourinho

Para quem, como eu, gosta de literatura americana, comprar o livro de Isabel Lucas, “Viagem ao Sonho Americano”, é quase uma inevitabilidade.

A autora, que escreve regularmente para o Público, viajou durante um ano por vários Estados americanos, tomando como ponto de partida para cada um deles um livro de referência, sondando simultaneamente “a condição americana, os seus mitos, paradoxos, medos e fragilidades, mas também a sua grandeza e capacidade de reinvenção”, lê-se na contracapa.

Acredito que aqui deixarei outros apontamentos sobre este livro, pois que ainda agora o comecei e já venho guardar um parágrafo da introdução que, a meus olhos, sintetiza uma verdade em que hoje, século XXI, pouco ou nada pensamos:

“Os que estão aqui, nas próximas páginas, são uma escolha e exemplificativa, penso, da tal complexidade do país que, como me dizia outro escritor, nasceu e se moldou em dois grandes males: o massacre dos índios e a escravatura. Nos dois casos esteve presente a violência de que a América nunca se conseguiu livrar, como se fizesse parte do seu ADN”. 

28
Dez20

A Louca da Casa, Rosa Montero

Maria J. Lourinho

Rosa.jpg

Uma surpresa muito agradável dado que não sou devota da literatura espanhola

A louca da casa é romance, ensaio, ficção, autobiografia, enfim, um pouco de muitos géneros.

Nele, Rosa fala-nos de escritores, de livros, do processo criativo, do real e do imaginado, do que existe e do que presumimos, do envelhecimento e do papel da imaginação (a louca da casa) em tudo isso.

Uma escrita muito agradável e fluída que, porém,  nunca é levezinha.

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