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Última Paragem

O blog do bicho do mato

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Última Paragem

25
Jan24

Se não sabe, não vote

Maria J. Lourinho

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A jornalista Bárbara Reis escreve hoje no Público sobre a inusitada situação que o jornal verificou ontem, quando milhares de pessoas foram ler nele uma notícia velha de há 3 meses.

Escreve ela.

"Um anúncio fez rir e pôs pessoas a ler notícias.
E fiquei a pensar: o que levou tantas pessoas a irem ler uma notícia velha e factual, o primeiro de muitos artigos que se escreveram nos últimos meses sobre essa incrível descoberta?
...
A resposta é simples: o número 75.800 euros está na nova campanha publicitária do Ikea.

Se estou a pensar bem, milhares de pessoas viram a campanha ficaram curiosas e quiseram saber o que significava aqule valor no cartaz. Ou seja, milhares de pessoas não sabiam dos 75.800 euros, uma das razões que levaram António Costa a demitir-se, que foi, digamos, a notícia do ano."

E digo eu: Estes milhares, e os que nem sequer foram averiguar o que seria, também votam no dia 10 de março.

A iliteracia política de tantos portugueses é assustadora. Por isso mesmo, há muito que deixei de apelar ao voto pura e simplesmente, como se todos soubessem o que estão a fazer.

Agora, acho mesmo que quem não está informado não deve votar. Deve ficar na sua casinha, desinteressado do voto como do resto.

Votar é um direito, um dever, mas também uma responsabilidade cívica que muitos milhares não estão habilitados a assumir.

Agora digo: se sabe, em consciência, o que vai fazer, vote; se não sabe, não vote.

Assine um jornal. Qualquer um.

 

24
Jan24

A História nunca acaba

Maria J. Lourinho

Isabel Lucas: "Nunca é dito, mas é claro que estamos em vésperas das eleições de 2016 que elegeram Donald Trump. Finn faz parte de uma geração frustrada, a lidar com um sentimento de fracasso e, ao mesmo tempo, uma espécie de impotência..."

Lorrie Moore: 
"O que eu queria dizer é que quando um país passa por uma guerra civil, ela nunca acaba. O fenómeno Trump continua a ser uma espécie de guerra civil. Há uma parte deste país, há uma parte da Confederação, da Guerra Civil do século XIX, que nunca desistiu e que controlou a narrativa durante muito tempo, apresentou a sua causa como nobre e construiu estátuas, que só agora começam a vir abaixo, dos heróis confederados do século XIX. São todas de supremacistas brancos. Essa parte da história americana começou agora a ser reexaminada e vemos Trump como parte de uma espécie de ressurgimento da Confederação ou de uma Confederação que esteve sempre viva no nosso país. As guerras civis não resolvem exactamente coisas, fazem o melhor por resolver, mas muita energia flui, subterrânea. O livro está a olhar para uma série de coisas que não morrem."

Pequeno excerto de uma entrevista que a escritora Lorrie Moore, americana, deu à jornalista Isabel Lucas para o jornal Público, a propósito do lançamento em Portugal do seu livro "Não Tenho Casa se Esta Não For a Minha Casa". Ajuda a perceber.

NÃO HÁ DEMOCRACIA SEM JORNAIS E JORNALISTAS.

E ELES VIVEM EM PERIGO DE MORTE.

O QUE PODEMOS FAZER É

ASSINAR UM JORNAL, QUALQUER UM!

17
Jan24

Nós, os ciganos e o Ventura

Maria J. Lourinho

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No seu artigo de ontem no jornal Público, João Miguel Tavares chama a atenção para o facto de Ventura, na sua convenção, ter prometido tudo a todos mas nunca ter falado de ciganos, assunto que, entre outros, lhe costumava ser caro.

Já não precisa, digo eu. Nos últimos quatro ou cinco anos trabalhou, como Trump, para soltar o filho da p*** que há, e sempre houve, em todos nós. E ele aí está saído da caixa.

Ontem, assisti a uma discussão interessante.

Passava eu por uma praça de táxis e dei com dois taxistas em grande discussão – um sentado ao volante do seu carro e outro do lado de fora da janela aberta.

Percebi que uma cigana, com uma adolescente e duas crianças, que esperava ainda fora do carro, queria usar o táxi em questão (o primeiro da fila), e o taxista, para não a levar alegou que tinha recebido uma chamada. O segundo da fila percebeu e saltou para fora do seu carro para a discussão.

Dizia, muito exaltado, ao colega, coisas como – estás aqui há tanto tempo e logo agora tiveste uma chamada, hein?.

Fui andando, por isso não percebi se o segundo homem estava zangado com a xenofofia do primeiro – hipótese fofinha – ou se estava danado por ter de ficar com a cigana e seus rebentos.

É óbvio que esta raiva aos ciganos sempre existiu na sociedade portuguesa, mas geralmente ficava um pouco camuflada por vergonha. Agora, pela contrário, ela manifesta-se com orgulho e de peito cheio.

Pudera, está representada ao mais alto nível da nação - o Parlamento.

15
Jan24

Análise muito de trazer por casa

Maria J. Lourinho

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Olhando a campanha eleitoral, já em curso, para as eleições de 10 de Março, e como criatura que gosta de política desde que se conhece, não consigo encontrar lógica nas posições do PCP e do Bloco, mas sobretudo do primeiro.

O povo de esquerda, duma maneira geral, gostou de geringonça, mas estes dois partidos estão convencidos que foi ela a sua desgraça. Não foi! Foi o medo do Chega que levou tanta gente a votar PS mesmo que a contragosto.

E agora talvez se repita o mesmo cenário. Com as sondagens a apontarem ganhos exponenciais do Chega, o que fazem os partidos à esquerda do PS?

Bom, o PCP jura que geringonça nunca mais, e o Bloco diz que é preciso uma maioria com um “programa para Portugal” e um Governo que dê “certeza de o aplicar”.

“Um programa para Portugal”, temo que, como habitualmente, o Bloco pense que é o seu, e só o seu. E se não for, terá um bom argumento para dizer que, "em consciência", não pode ajudar. (Cheira-me a jogo de toca e foge).

O que diz Pedro Nuno Santos? Não jura nada, mas afirma que a geringonça foi boa e parece disposto a repetir a experiência se necessário.

Posto perante este quadro, o que fará o tal povo de esquerda?

Vota PS, claro, não por amor ou convicção, mas para esconjurar o medo e para alimentar a esperança.

Eu?

Voto LIVRE!

Está dito e não conto repetir. Ou talvez repita, sei lá.

Boa semana.

12
Jan24

Verdade com mas

Maria J. Lourinho

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É verdade, sim,  mas também é uma moda.

Ainda estão no secundário, são muito infantis e dependentes da mamã, e já estão a falar em ir embora, como se isso fosse uma promoção social, ou a demonstração de pertença a um estrato social cimentado no cosmopolitismo.

Não é. 

Não estou a dizer que aqui se pagam salários justos, ou que ganhar mundo é mau, longe disso, mas às vezes, quando os oiço, parecem estar a desdenhar do país que os forma e mima, e a quem é suposto, pelo menos na minha cabeça, retribuirem alguma coisa.

E isso irrita-me um bocado, confesso.

10
Jan24

Não percebo

Maria J. Lourinho

 

estação-de-santa-apolónia-@Nicky-Boogaard.jp

Às vezes, tenho sérias dificuldades em entender os meus compatriotas.

Passa-se isso agora com mais uma greve nos comboios.

Vejamos: o Orçamento de Estado está aprovado e sabe-se qual o dinheiro disponível para cada ministério.

A Assembleia da República é dissolvida no dia 15 e o governo entra em modo de gestão.

A 10 de Março há eleições, das quais resultará um novo governo.

Assim sendo, o que se espera conseguir com mais estes dias de greve? A meu ver, nada.

E ela apenas  prejudica os portugueses mais pobres, que não têm carro nem podem chamar um Uber ou um taxi.

Satisfará alguns interesses tão obscuros que nem os consigo ver?

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