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Última Paragem

O blog do bicho do mato

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Última Paragem

30
Dez23

Hoje, também quero acreditar

Maria J. Lourinho

 

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Quase, quase, no fim de um ano mauzito, sinto-me, frequentemente, à espera de um ano mauzão, e de um futuro sem futuro. Estas palavras da escritora Lídia Jorge, em entrevista dada hoje ao jornal Públicio, são uma espécia de inesperado agasalho em dias de gelo.

E com elas termino o ano, desejando a todos que, afinal, 2024 não seja o ano mauzão.


"Acredito que há coincidências surpreendentes que salvam as coisas. Não é que salvem a vida individual, mas a humanidade. Mesmo neste momento infernal que estamos a atravessar, tenho ideia de que qualquer coisa muito boa tem de acontecer, porque há uma espécie de lei de saturação do mal. Até na Segunda Guerra Mundial, sobre o cadáver de tanta gente, houve o futuro. Custa muito crer nisto, mas a História é isso mesmo: uma catástrofe contínua, com intervalos."

28
Dez23

Balanço de leituras

Maria J. Lourinho

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Este foi um dos anos em que mais li. Li muitos e muito bons livros.

Quem, como eu, gosta de ler, nunca está sozinho e nunca se aborrece.

Desejo a todos um 2024 sempre em boa companhia.

É tempo de balanços, mas não sou criatura de escolher só um; por isso escolho uma dúzia.

A Vida Brinca Comigo – David Grossman

A Sonata de Kreutzer – Tolstói

O Passageiro – Cormac McCarthy

Hamnet - Maggie O´Farrell

Contos Escolhidos – Carson McCullers

A Filha do Capitão – Alexander Pushkin

Mrs. Osmond – John Banville

Triologia de Copenhaga – Tove Ditlevsen

Limpa – Alia Trabucco Zerán

Vínculos Ferozes – Vivian Gornick

Uma Porta nas Escadas – Lorrie Moore

Festa no Jardim e outros contos – Katherine Mansfield

26
Dez23

Toda a vida é composta de mudança

Maria J. Lourinho

Li isto e tenho pena (tudo em Lisboa)

Fechou a Casa Chineza.
Fechou a livraria Ferin.
Fechou a Casa Senna, a chapelaria Lord.
Fechou o Bota Alta, restaurante do Variações.
Vai fechar A Vida Portuguesa.
 
Mas tenho sempre vontade de perguntar:
Quantas vezes lá foste nos últimos vinte anos?
Quantos euros lá gastaste?
Então, qual é o espanto?
Nem todos fecham porque o prédio vai ser um hotel. Alguns fecham porque a vida deles acabou, como a nossa acabará, como acabou a dos nossos avós que falavam de lojas e hoteis que nunca conhecemos.
Caso para dizer - é a vida! Só que ela agora não anda, corre.
19
Dez23

Inveja

Maria J. Lourinho

Fotografia0191.jpg

A foto é minha mas pode levar

...Estava um dia de Janeiro luminoso, o sol brilhava nas árvores de folha perene, o ar era límpido como um sino; era uma luz de último grito, como às vezes ocorre num meio-dia de Janeiro; não uma luz intensa , mas pálida e purificante como sumo de limão.

Lorrie Moore, Uma Porta nas Escadas

Ai o que eu gostava de ter escrito isto!!!

 

18
Dez23

Oratória

Maria J. Lourinho

Se eu tivesse alguma intenção de votar Pedro Nuno Santos, não sei se não estava já desincentivada.

É que a toada do seu discurso de victória, na noite de sábado, só não me adormeceu no sofá porque fechei a televisão e fui-me deitar, mesmo.

O moço!, na era de todas as comunicações, é preciso aprender como produzir um discurso eficáz no tom, volume, projecção e inflexão de voz.

Assim dá cá um enfado...

Mas, pronto, se calhar sou eu que sou esquisita.

14
Dez23

Exorcismos

Maria J. Lourinho

Ninguém sabe, ninguém viu, ninguém se lembra, ninguém acha possível, ninguém contactou ou foi contactado.

Solta-se-me um "oh diabo!!!" e reforço a convicção de que andam à solta diabinhos maliciosos entre Belém, São Bento e Santa Maria.  

Não precisamos para nada das anunciadas investigações normais. Precisamos de investigações para- normais.  Precisamos dum exorcista para lidar com estes diabinhos.  Como devemos consumir português, pode ser mesmo o bruxo de Fafe.

Este disse ao Goucha que começou a ver pessoas com várias cabeças. Ora, este é um caso que também parece ter várias cabeças.

Com um bruxo assim à medida, em breve saberíamos tudo, tudinho.

Vão por mim.

12
Dez23

Uma Porta nas Escadas

Maria J. Lourinho

2023-12-11 19.38.49.jpg

Há muito que procurava este livro, que estava sempre “não disponível”. Até agora.

Maravilhosamente bem escrito, conta-nos sobre um ano de vida de uma rapariga americana, oriunda de um meio rural, que vai para a cidade (Troy no Michigan) frequentar a universidade, cerca de um ano depois do 11 de Setembro.

Nessa sua passagem para a idade adulta, apetece perguntar quantas perdas se podem suportar em pouco tempo.

Não há finais claros para as relações emocionais que ela vai estabelecendo; não sabemos o que acontece a quem entra, e depois sai, da vida de Tassie Keltjin. Pode ser um pouco frustrante, não estamos habituados a isso na literatura, mas não é o que acontece também tantas vezes nas nossas vidas?

Na escrita de Lorrie Moore, as descrições de fauna e flora, que tantas vezes me parecem pouco entusiasmantes, se não mesmo chatas, são coloridas, vibrantes e até aromáticas.

O humor (às vezes negro), insinua-se,  é subtil, e a América está lá toda:pobres e ricos, racismo, terrorismo, guerra do Afeganistão, e estranhas formas de amar e cuidar, mas também oportunidades em aberto.

A prosa é magistral.

Não me arrependo da espera pelo livro. Ao contrário.

O livro é de 2009, nas Edições Relógio d'Água e de 2010.

08
Dez23

Sobre os comentários

Maria J. Lourinho

Já aqui escrevi, mais do que uma vez, que este blogue não é democrático.

É meu, responsablilizo-me pelo que escrevo, mas nada me obriga a publicar o que os outros escrevem.

Não há democracia aqui, sou uma déspota nesta "casa", e há muito que decidi que não publico comentários "Cheganos", racistas, homofóbicos, de ódio, ou simplesmente burros.

O visitante que se apresenta como "o apartidário" não terá o seu comentário publicado porque ele cabe em quase todas as categorias que enumerei.

Disse!!!! (mais uma vez). Ponto final, parágrafo!

Bom fim de semana.

05
Dez23

A barriga do Chega

Maria J. Lourinho

A barriga do Chega está gorda e recheada de políticos. Políticos de primeira ou segunda linha, culpados, inocentes ou híbridos, julgados ou por julgar, acusados na praça pública via fugas de informação do MP, para sempre abatidos.

Assim se enche o bandulho do Chega, fazendo crer aos portugueses que é tudo uma corja. E uns ladrões.

Observo, impotente, este trabalhinho.

Faltava o Marcelo, para que se pudesse dizer que nenhuma instituição se salva.

Sou insuspeita de simpatias para com Marcelo, mas acredito que ele não cometeu nenhuma ilegalidade. Apenas uma amoralidade, que julgou inofensiva mas que, com ela, alcançaria o fim pretendido - tratar as gémeas.

Se assim não fosse, o presidente, ao receber um email do filho com o conteúdo divulgado, não encaminhava para lado nenhum, nem podia dar-lhe o caminho normal dado a qualquer cidadão anónimo;  pegava simplesmente no telefone e explicava ao seu rebento algumas coisinhas sobre o estado de direito (ao dr. Nuno).

Seguindo o caminho normal dos emails, mesmo não abrindo a boca, Marcelo sabia que todos perceberiam o interesse, não digo dele, mas da sua família. E o país da cunha não o desiludiu.

O país mudou, não soprta mais estes arranjinhos, mas os políticos tradicionais tardam em perceber isso.

E o Chega engorda.

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