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Última Paragem

O blog do bicho do mato

O blog do bicho do mato

Última Paragem

30
Mar23

Filtros em falta

Maria J. Lourinho

Entre os muitos humanos e humanóides que usam o Facebook, conheci de tudo um pouco. No meio desse tudo, como muitos, também me cruzei com Ana Cristina Leonardo, ex-jornalista, creio, que frequenta a arena que o Facebook pode ser, lançando por ali jactância, assertividade e acrimónia como quem “lança perfumes”. É uma arte.

“Faz a cama” às pessoas de que não gosta, sempre convencida de que não há ninguém tão inteligente, tão culta, tão viajada, com uma vida tão rica, como ela; mas, atenção!, nada disto vem em versão revista Caras, antes em versão Jornal de Letras.

Como seria de esperar, tem um séquito que a segue, bebendo o fel que ela tem a coragem de expelir e o séquito não; a insignificância ressentida e invejosa, rejubila sempre com o fel. Por seu lado, para a performer, o aplauso é um alimento necessário, embora venha com hálito de doença.

A Leonardo conseguiu ser contratada pelo jornal Público, onde elabora crónicas, sob o genérico “chapéu” Meditação na Pastelaria, que não classifico como boas ou más, mas que me chateiam sobremaneira dado o elevado número de citações livrescas, e que há muito deixei de ler. Através dos que gostam de me contar o que se passa no Facebook, vim a saber que ela tinha feito lá um post em que, basicamente dizia que Carmo Afonso e Maria João Marques, escrevendo o contrário uma da outra, “ambas debitam disparates”.

Ora, acontece que, independentemente do seu mérito ou demérito, na escrita e na opinião, Carmo Afonso e Maria João Marques, são ambas, como ela, cronistas do Público.

Logo, pergunto-me: de que estará o director do jornal - Manuel Carvalho, à espera, para lhe explicar que se pode dar bicadas nos colegas, que isso até é um desporto nacional muito apreciado, mas sempre em privado, caramba. E que se ela ainda não percebeu isso, com a idade que tem, melhor será que liberte espaço e passe a meditar exclusivamente na sua pastelaria.

O isolamento, lá para trás do sol posto para onde foi, parece que não lhe está a fazer bem. O filtro já era pouco...

 

Nota: Meditação na Pastelaria é o título de um poema de Alexandre O'Neill que integra o livro No Reino da Dinamarca

24
Mar23

Larguem-me

Maria J. Lourinho

Como quase todos os portugueses, sempre gostei da TAP e tinha orgulho nela; quando, no regresso, entrava num avião TAP, já me sentia em casa.

Não esqueço, porém, que desde o 25 Abril 1974, as greves dos pilotos sempre surgiram nos momentos mais conturbados da vida política portuguesa. Coincidências do caraças...

Agora confesso-me farta da TAP até ao tutano - dos pilotos, dos não pilotos, das administrações, dos que voam, dos que não saem do chão, de todos.

Nos últimos anos dei por mim a dizer: "não venhas na TAP, evita a TAP, e não há outro avião se não da TAP?

As coisas não estão melhores, e depois de muito dinheiro e muita tolerância, eu, como quase todos os portugueses, quero a TAP vendida, quero livrar-me dela, quero que os pilotos se lixem (anunciam agora mais uma greve), e nem me importo de perder o dinheiro todo que lá foi metido. Larguem-me!

Grandes males, grandes remédios, dizia a minha avó e tinha toda a razão.

20
Mar23

Book Influencers e sexo

Maria J. Lourinho

Ali na estante diante de mim, está o meu exemplar do romance O Leitor, de Bernhard Schlink, obra muito conhecida, sobretudo graças ao filme que a partir dele se fez. O meu livro tem as folhas amarelecidas, é de 1998, publicado pela desaparecida editora ASA.

Lembro-me de, no final da leitura, comentar como tinha gostado, e como, ao fim de tanta literatura lida, um romance ainda podia surpreender-me tão fortemente.

Há dias, li o parecer duma book influencer no Instagram (3 mil e tal seguidores), em que considera que o livro tem algo de muito problemático – um miúdo de 15 anos tem uma relação com uma mulher de 36 (na Alemanha do pós-guerra). A influencer vai por ali afora, sempre batendo na mesma tecla, embora pelo meio faça algumas outras interpretações abstrusas, e termina insistindo que uma relação entre uma criança de 15 anos e uma adulta de 36 é claramente problemática “para dizer o mínimo”.

Ora eu, para dizer o mínimo, pergunto quem é que, em 2023, e sexualmente falando, entende um rapaz de 15 anos como uma criança (subrepticiamente seduzido, subentende-se)

E antes de 2023, por toda a história da humanidade, sexo com um rapaz de 15 anos alguma vez foi considerado desvio de menores? Não me lembro!

Porém, a crescente infantilização da nossa sociedade, em que se vai ao pediatra até aos 18 anos e se fica em casa dos pais até bem depois dos 30, leva a que as delicadas e moralistas cabeças das nossas influencers se possam atormentar com o sexo consensual entre uma mulher madura e um adolescente, num romance que se passa na década de 1950.

Curioso é que essas cabeças dizem que leem muitíssimos livros, e a mim parece-me que nem eles estão a conseguir fazer o milagre de as abrir e arejar.

Se não eles, quem?

 

 

18
Mar23

Daniel Sampaio, um homem sem medo

Maria J. Lourinho

Já afirmaram que os testemunhos de abusos vieram de zonas do litoral. Há um Portugal mais rural e interior que ainda não foi ouvido?

Para evitarmos isso propusemos que os senhores padres no final da missa fizessem um apelo ao testemunho. E não foi feito. Foi-nos dito por um bispo: “Nós não podemos ser arautos dessa notícia. Nem pensem fazer isso.”

O que é que isso traduz?

Uma cultura de silenciamento. Seria fundamental, no interior do país, onde as pessoas não têm muitos estudos, haver o senhor padre a dizer “está aqui este número, telefonem”. Enviámos folhetos para todas as dioceses e nem todas os distribuíram. O estudo poderia ter sido mais significativo do ponto de vista do número, se tivesse havido mais empenhamento da Igreja no apelo ao testemunho. A Igreja velha não quer que se fale no assunto e quer desvalorizar o relatório.

Excerto entrevista no Expresso, 18 Março 2023

17
Mar23

Marie

Maria J. Lourinho

Jul.jpg

 

A escultura que se vê na imagem foi criada por Julião Sarmento e pertence à colecção do Centro de Arte Moderna (CAM) da Fundação Gulbenkian. Destinava-se, originalmente, ao pátio exterior da delegação da Fundação em Paris.

Sarmento chamou-lhe Marie, fê-la em resina com 180 centímetros de altura, e vestiu-a com uma peça de seda concebida pelo designer de moda português Felipe Oliveira Baptista

Para assinalar um ano da morte do autor, (em 2021), a peça aterrou no jardim da Fundação em Lisboa, diante da porta de acesso à biblioteca. Ali continua, há um ano, açoitada por todas as intempéries.

Não sei que processo criativo levou o Julião Sarmento a concebê-la como peça de exterior. O certo é que olho para ela e penso: pobre Marie, para começar saltou-lhe a tampa e, com o que tem chovido, deve ter a cabeça em água.

A roupeta, como se vê na primeira imagem era azul e a seda tinha bom “cair”.

Agora é cor de sujo e está práli, ora mais para a frente, ora mais para trás, como se pode ver na segunda imagem.

Hoje, calhou olhar para o estrado de madeira em que se apoia e juro que pensei: então, Marie, xixi pelas pernas abaixo?

Em geral, sempre gostei do trabalho do Julião Sarmento, mas acho esta Marie cada dia mais constrangida e constrangedora.

Os experts que me perdoem.

Julião(1).jpg

16
Mar23

É tão lindo o privado

Maria J. Lourinho

Acontece hoje a primeira greve de enfermeiros nos hospitais privados.

Informação útil: ordenado mínimo, bruto, de um enfermeiro no SNS, 1268 euros, no privado 1080 euros.

Horário semanal no SNS, 35 horas, no privado 40 horas.

As coisas têm piorado e prometem continuar a piorar nos hospitais privados.

Força, valentes, trabalhar para ricos é muito agradável, mas paga mal.

Caso para usar o velho ditado que até Saramago citou - "pensou que se benzia e partiu o nariz".

14
Mar23

Escolhas

Maria J. Lourinho

Um velho amigo da minha família teve bastante sucesso financeiro na sua vida de trabalho.

Não gostava de ter dinheiro no banco , preferia investir tudo em "pedra" e terra.

Quando morreu, propriedades havia muitas, dinheiro para o funeral é que foi difícil encontrar.

Medina é ao contrário: tem muito dinheiro no banco mas nós não temos médico, por exemplo; fica mais fácil morrermos.

Espero que, ao menos, FM nunca se lembre de cativar as verbas para o nosso subsídio de funeral.

13
Mar23

Dispensávamos

Maria J. Lourinho

Pessoas de ego insuflado mas de pouca segurança e estrutura, não sabem ver quando o seu auge chegou e passou, não toleram a concorrência, desconhecem a palavra humildade, hostilizam quem os supera e deixam vir ao de cima o seu pior.

Acabam a exibir publicamente as suas misérias; são, afinal, gente pequena.

Os portugueses dispensavam bem chocar, assim, de frente, com o mau perder e mau exemplo dos que se habituaram a admirar.

Uma tristeza - Nelson Évora!

 

12
Mar23

Domingo

Maria J. Lourinho

A manhã está morna. O sol é tímido. A vida começa a anunciar-se nas hastes dos arbustos.

Com a chuva que caiu no inverno, em breve teremos uma explosão verde.

Ainda não a sinto. O mundo está demasiado confuso e perigoso para que nos alegremos descuidadamente com o renascer da vida - uma marioneta presa por cordéis gastos. Que se partem aqui e ali.

Remendá-los parece ser cada vez mais difícil.

As nossas pequenas dores são ridículas. Mas para cada um de nós podem ser equivalentes a guerras, interiores e silenciosas, também elas o resultado de fios puídos e nunca substituídos.

Avisado será dar atenção à ode de Horácio:

"Sê sensata, decanta o vinho, e faz de uma longa esperança um breve momento. Enquanto falamos, já invejoso terá fugido o tempo: colhe cada dia, confiando o menos possível no amanhã."

08
Mar23

8 de Março

Maria J. Lourinho

mulheres.jpg 2.jpg

Não é para achar normal que ele marque mesa num restaurante da moda, ofereça flores, chocolates, jóias ou almofadas em forma de coração, e fique à espera de uma boa noite de sexo.

É para lembrar que temos de ser iguais, completamente iguais, em direitos e deveres, e ainda não o somos.

É para pensarmos globar e apoiar como pudermos as lutar das mulheres e meninas do Afeganistão, Irão, África e de quase todas as outras partes do mundo onde mulher é menos que bicho.

É para recordar quanto caminho já andámos, quantas lutas já ganhámos, e tomar consciência de quanto nos falta alcançar.

É para transmitirmos isto às meninas que vão nascendo depois de nós como quem passa uma jóia de família de geração em geração.

É para nunca nos esquecermos de educar os rapazes para serem feministas.

É para fazermos tudo isso contando umas com as outras e também, sempre, com os nossos homens.

Viva o 8 de Março, o dia Internacional da Mulher!

(consagrado pela ONU em 1975. Só viria a ser oficialmente reconhecida pela Assembleia Geral das Nações Unidas, através da Resolução 32/142. em 16 de Dezembro 1977).

07
Mar23

Enfeitiçada

Maria J. Lourinho

Enfeitiçada por esta extraordinária foto publicada no Expresso de 4 Março 2023.

Na legenda lê-se: Danièle (1943-2023) na casa do Guincho, em 2011, no ano da morte de Gérard, empunhando a fotografia do marido. Na parede, a sombra do lugar onde estava a foto encaixilhada

JOSÉ M. RODRIGUES

Nota: o Gérard referido era Gérard Castello-Lopes, o fotógrafo

Danièle-Castello-Lopes.jpg

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