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Última Paragem

O blog do bicho do mato

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Última Paragem

27
Dez22

O princípio e o fim

Maria J. Lourinho

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Comecei o ano na Inglaterra do século XIX, com Middlemarch, mas, ao longo do ano, visitei o Reino Unido ainda várias outras vezes com outros personagens. Termino o ano com Viagens e, de facto, acho que viajei bastante. Com os livros, estive na Noruega, Argentina, África do Sul, Escócia, Espanha, França, EUA muitas vezes, Canadá, Marrocos, Israel, Suécia, Colômbia, Vietname, Itália, Guiné-Bissau.

Não fui ao Brasil, mas tenho pena.

Conheci muitas gentes e lugares.

Nunca estive só.

Não entendo quem não gosta de ler – do melhor que a vida tem.

23
Dez22

A neta

Maria J. Lourinho

E quando uma neta de quatro anos, que nos vê passar, nos grita lá do fundo do parque infantil, - "avó, gosto do teu casaco!", todo o transeunte olha, as nuvens põem-se a andar, o céu abre, e o sol aparece só porque a avó se riu com gosto e confirmou, nesse instante, que não morrerá na hora da sua morte.

17
Dez22

Quê?

Maria J. Lourinho

"Para a selecção portuguesa de futebol, o Mundial de 2022 no Qatar já terminou, mas dentro do Parlamento a bola ainda rola. E foi só depois da eliminação da equipa portuguesa que o Parlamento decidiu aprovar um voto de condenação da realização do mundial no Qatar. O projecto apresentado pelo PAN foi aprovado com os votos a favor de quase todos os partidos, incluindo a bancada do PS, depois de o seu secretário-geral e primeiro-ministro se ter deslocado ao Qatar mais do que uma vez para assistir aos jogos da selecção. A condenação foi aprovada com os votos a favor da IL, do PCP, do BE, do PAN, do PS e do Livre. O PSD absteve-se e o Chega votou contra a condenação."

Público, 16 Dezembro 2022

13
Dez22

Proibir, vigiar, cancelar

Maria J. Lourinho

Proibir, vigiar, cancelar, censurar, eis as acções em que as nossas democracias liberais se empenham realmente.

Um dia, não muito longínquo, tudo isto nos rebentará na cara com a eleição de governos populistas de direita, em virtude da fartura que o povo vai sentindo com tanta higiene e controlo do pensamento, da linguagem e do livre arbítrio.

https://www.publico.pt/2022/12/13/p3/noticia/nova-zelandia-proibe-venda-tabaco-nasceu-2009-2031221

Nova Zelândia proíbe venda de tabaco a quem nasceu depois de 2009

Novas leis, que deverão entrar em vigor em 2023, aplicam-se a todos os jovens até aos 14 anos e vigoram durante toda a sua vida. País quer também limitar a venda.

Notícia do Público, 13/12/2022

12
Dez22

Diabinhos do meu altar

Maria J. Lourinho

Segundo o Expresso online, Macelo foi hoje a uma escola de Ourém, onde aproveitou para se solidarizar com a greve de professores, amanhã, promovida pelo sindicato STOP (direita mas com pouca representação).

Pergunto-me se ser activista sindical, para além de comentador e adepto, também passou a integrar as funções presidenciais na óptica de MRS. Pelos vistos, sim.

Quem por aqui passa, sabe que não morro de amores nem pelo Ronaldo nem pelo Marcelo, que são santinhos do altar dos portugueses. Por isso, criticar qualquer um deles é ficar à mercê de apupos e outras coisitas mais.

A Ronaldo reconheço a capacidade de atleta, a Marcelo sempre reconheci a capacidade de intriga. As suas personalidades não me são simpáticas e de modo algum me dão orgulho.

Por isso penso muitas vezes - raios que me partam, a mania que eu tenho de ser do contra!

04
Dez22

Olive

Maria J. Lourinho

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Se alguma mulher me disser que não encontra em si um grama da chata da Olive Kitteridge, eu digo logo que não acredito.

…”Henry – disse. - Eles fazem anos de casados hoje. Dão-se bem, mas ela é burra, tal como eu pensava. Estão ambos a fazer terapia. - Hesitou e olhou em volta. - Não te preocupes com isso, Henry. Na terapia, a culpa é sempre da mãe. Tenho a certeza que sais de lá incólume e a cheirar a água de rosas.” 

Ed. Alfaguara

 

01
Dez22

Sentido e certeiro

Maria J. Lourinho

O colunista do Expresso, que revela ter votado em Marcelo nas duas eleições que venceu, traça um retrato muito crítico das intervenções mais recentes do Presidente: “No que toca ao Catar, não há razões diplomáticas que justifiquem uma ou várias viagens presidenciais agora. A verdade, como todos sabemos, é que o comentador M.R.S. quis 'ir à bola'”.

1 DEZEMBRO 2022 15:18

Miguel Monjardino
 

Ocomentador Marcelo Rebelo de Sousa (M.R.S.) constitui, pelo seu recente comportamento, uma ameaça à credibilidade da instituição da Presidência da República e ao futuro de Portugal. Começo com uma declaração de interesse: votei em Marcelo Rebelo de Sousa nas eleições presidenciais de 2016 e de 2021. Nas duas ocasiões, estava convicto de que a sua eleição poderia ser importante para o futuro país. O problema é que, em vez de um Presidente da República, elegemos um comentador com urgência pessoal e compulsão para se pronunciar, instantaneamente, sobre tudo.

Há duas semanas, no final do último jogo de preparação da seleção nacional de futebol contra a Nigéria, M.R.S. teceu uma série de considerações sobre a equipa portuguesa e, sem que ninguém o tivesse questionado sobre o assunto, afirmou: “O Catar não respeita os direitos humanos. Toda a construção dos estádios e tal... mas, esqueçamos isto. É criticável, mas concentremo-nos na equipa.” Estas suas afirmações e a forma como as justificou, em Portugal e em Doha, revelam um problema grave e persistente.

Que terá levado M.R.S. a fazer afirmações sobre o assunto e neste momento? Só ele poderá responder. Mas os que têm presentes uma série de declarações extemporâneas e infelizes suas nos últimos tempos poderão tirar duas conclusões. A primeira é que M.R.S. parece ter hoje menor capacidade de avaliar o que diz, como diz e o seu impacto. O comentador terá esquecido que é Presidente da República. Fala porque lhe apetece falar e dizer qualquer coisa todos os dias. Passando à segunda, a sua área de eleição no comentário foi sempre a política interna. A política internacional não é universo em que M.R.S. se sinta à vontade. Por vezes, o Presidente da República anula o comentador que persiste em si e produz um bom discurso, como o do passado dia 3 de novembro no Instituto de Defesa Nacional.

O Catar é um país recente. Tornou-se independente em 1971. Estado pequeno com uma característica singular: enorme ambição a nível regional e mundial. O seu instrumento político tem sido o gás natural, especialmente o liquefeito (LNG, na sigla inglesa), de que é um dos maiores produtores mundiais. A guerra da Rússia contra a Ucrânia aumentou ainda mais a importância de Doha nos mercados internacionais de energia. Como a transição energética deverá ser bem mais longa do que os decisores políticos europeus desejam, esta energia fóssil continuará a ser importante nas próximas décadas. Assim, daqui para frente a Europa dependerá mais, e não menos, do Golfo Pérsico e do Mediterrâneo.

A saudação do chefe de Estado ao fundador da Web Summit, em novembro, deu que falar

A saudação do chefe de Estado ao fundador da Web Summit, em novembro, deu que falar

Tal como aconteceu com todos os países que organizaram o Campeonato Mundial de Futebol, Doha vê neste torneio um evento de grande afirmação política regional e mundial. É o primeiro Mundial que tem lugar no Levante. Sabe-se que a liderança do Catar ambiciona ser uma ponte entre o mundo árabe sunita e outros continentes e culturas. Tudo indica que os decisores do Catar tenham subestimado os efeitos das críticas internacionais em relação à situação dos direitos humanos no seu país. As críticas deverão aumentar nos próximos dias. Esta semana, Hassan al-Thawadi, alto-funcionário do Catar com responsabilidades na organização do Mundial, afirmou numa entrevista a Piers Morgan que “a estimativa [de migrantes que morreram durante os trabalhos de construção das infraestruturas desportivas e urbanas] é à volta de 400, entre 400 e 500”.

Foi neste contexto que M.R.S. reafirmou a sua intenção de ver o jogo de Portugal contra o Gana e falar dos direitos humanos em Doha. As suas declarações na capital do Catar foram reproduzidas quase de forma triunfal por parte da imprensa em Portugal. Infelizmente, tal coincidiu com o desmantelamento de uma importante rede de tráfico humano e de trabalho escravo no Baixo Alentejo pela Unidade Nacional de Contraterrorismo da Polícia Judiciária (PJ). Como afirmou Luís Neves, diretor nacional da PJ, de forma exemplar, esta operação foi “um trabalho dos direitos humanos”. No Catar, todavia, M.R.S. exagerou e apresentou Portugal como um líder internacional na defesa dos direitos das mulheres. Muito convenientemente, esqueceu-se de relembrar que mais de 500 foram assassinadas no país nos últimos 15 anos.

Como vimos, um número semelhante de migrantes terá morrido no Catar durante a construção dos estádios, complexos desportivos e rede do metropolitano desde 2010. Em Doha, M.R.S. afirmou ainda que Portugal lidera também na “educação para a revolução digital”, tem a Web Summit, “unicórnios” e imensas start-ups. Tudo isto no momento em que o Instituto Nacional de Estatística publicou os resultados dos Censos 2021, que apontam para um país muito envelhecido e despovoado. Em Portugal, a taxa de pobreza antes das transferências sociais está nos 43,4%, o que não pode ser motivo de orgulho.

Estas declarações de M.R.S. na capital do Catar são um exemplo do seu paroquialismo e isolamento. Desde 2001, os interesses permanentes de Portugal nunca impediram qualquer Presidente da República de visitar oficialmente os Estados Unidos apesar de Guantánamo. No que toca ao Catar, não há razões diplomáticas que justifiquem uma ou várias viagens presidenciais agora. A verdade, como todos sabemos, é que o comentador M.R.S. quis “ir à bola”.

A grande contribuição de M.R.S. como comentador tem sido a infantilização permanente de Portugal. Tal como o flautista de Hamelin, um dos meus contos favoritos dos irmãos Grimm, Hamelin atrai-nos com uma sucessão diária de factos e histórias que nos conduzem de forma silenciosa à irrelevância. Não necessitamos de “visões de futuro”. Os portugueses necessitam que um Presidente da República, corajoso, competente e bem informado lhes sugira uma trajetória para atingir um conjunto de fins em que a maioria se reveja, isto é, uma estratégia. Estou convencido de que a maioria dos portugueses não precisa de continuar a ser entretida nem menorizada por M.R.S..

Alguns dos leitores regulares desta coluna poderão ficar surpreendidos com este texto. Não têm razão. Este é um exercício de afirmação cívica de que não prescindo enquanto cidadão português que vive nos Açores e está crescentemente preocupado com o futuro dos seus três filhos. É tudo. Portugal precisa do seu Presidente da República agora.

Expresso, 1 Dezembro 2022

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