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Última Paragem

O blog do bicho do mato

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Última Paragem

24
Ago22

Coisas que me chateiam

Maria J. Lourinho

Sou mulher e feminista desde que me lembro, mas chateia-me enormemente que, a qualquer mulher na política, baste ser jovem e bonita para que tudo lhe seja perdoado e justificado. Os homens fazem-no porque sim, as mulheres por solidariedade feminina acéfala. 

E volto à primeira ministra finlandesa, Sanna Marin, agora que foram divulgadas imagens de uma festa na residência oficial, em que surgem pessoas conhecidas em topless e demonstrações de afecto. Está tudo bem. Invejosos. Moralistas. Machistas. Misóginos, dizem.

Eu posso até enfiar todas estas carapuças, mas fico a pensar em como cairia o Carmo e a Trindade para as mesmas pessoas se, por artes do demo, Costa, ou Passos, pensassem, sequer, em fazer uma festa privada em São Bento mesmo com a malta toda de gola alta.

19
Ago22

Sanna

Maria J. Lourinho

Captura de Ecrã (25).png

O vídeo corre na internet à velocidade do TGV que não temos, e mostra a primeira-ministra da Finlândia numa festa com amigos.

Sanna Marin de seu nome, tem 36 anos e, no vídeo, está a fazer apenas o que qualquer mulher da sua idade faz: junta-se com amigos, dança, canta, abana o capacete, talvez beba uns copos, e deixa-se filmar.

Tudo normal, certo? Bom, para mim, não.

Quando penso num alto cargo de qualquer país, no meu espírito, associo-lhe sempre a virtude latina gravitas.

Gravitas é a virtude de quem reconhece o peso e responsabilidade da posição que ocupa, e isso, claramente a Sanna não sabe o que é, pois, se soubesse, mostraria apenas a sua vida pública e preservaria a vida privada; mas, provavelmente, ela não sabe nem precisa de saber. Dos romanos até aqui vai um tempo do caraças, quem é que quer saber dessas parvoíces do Marco Aurelio e companhia?

Na verdade, acredito que, como eu,  muitos eleitores finlandeses ainda queiram saber, e ainda gostem de encontrar gravitas nos seus ministros. Eu gosto, eles gostam, mas somos minoritários, e não contamos para nada.

Ponderando bem o assunto do vídeo, quer-me parecer que das duas uma: ou a Sanna fez marketing político e estava tudo planeado, ou não é muito inteligente e deixou que os amigos usassem os telemóveis.

Vou na primeira hipótese, e por isso, cada vez mais, ao olhar o mundo, sinto “Uma Estranheza em Mim” .

PS:

No que se refere à gravitas, penso exactamente o mesmo das festas do Boris Johnson.

Uma Estranheza em Mim” é título de um livro de Orhan Pamuk, escritor turco, prémio Nobel da Literatura em 2006.

 

 

18
Ago22

Olhar para Trás, Juan Gabriel Vásquez

Maria J. Lourinho

1540-1.jpg

Eis aqui a história de Sergio Cabrera (cineasta colombiano) e da sua família, toda ela engajada com com as ideias de esquerda, desde a saída do seu avô de Espanha durante a guerra civil. Sergio e a sua irmã foram olhados pelos pais como mais uma roda da preciosa engrenagem maoista, que eles acrescentariam à revolução chinesa, sem cuidar de pensar , por um minuto sequer, que os filhos não são nossos. Todos viveram na China de Mao e foram por ela treinados, todos integraram a guerrilha colombiana e todos acabaram por a abondonar com mais ou menos mágoa, dor e revolta.

A história é contada por Juan Gabriel Vásquez, usando a voz de Sergio, real ou ficcionada.

É um bom livro e um bom documento embora, pessoalmente e em termos históricos, não me trouxesse nada de novo.

14
Ago22

Animar a malta

Maria J. Lourinho

Quando José Afonso cantava “o que faz falta é animar a malta”, não creio que fosse bem para isto – o modo como estamos a viver – que ele nos estivesse a incentivar.

Certo é que embarcámos numa animação destrutiva de tímpanos e pensamento (este com a prestimosa ajuda dos telemóveis).

Durante os muitos meses de uso de máscaras, era frequente sentir saudades dos aromas da vida diária nas ruas – relva, flores, motores, chuva, cozinhados, etc.

Agora, sinto saudades dum tempo que não volta, feito de coisas simples e de coisas que não havia, tais como – um arraial em cada bairro durante um mês com música aos gritos, uma música modernaça em cada esplanada, uma ou duas televisões em cada restaurante, clientes desses restaurante todos falando tão alto como se tentassem comunicar com surdos profundos, uma televisão em cada sala de espera, uma televisão em cada enfermaria de hospital.

Senhor, tende piedade. Agora que recuperámos os aromas, dai-me dias animados mas com nível de decibéis aceitável. Dai-me espaço para o silêncio, o encontro comigo mesma e com a natureza que ainda me rodeia.

E já agora, e sem querer abusar, faz com que os políticos se decidam sobre o novo aeroporto de Lisboa porque, de verão, a cada três minutos tenho um avião a sobrevoar o meu prato à hora do jantar.

Se não for pedir muito, baixa o som, por favor.

11
Ago22

Falar claro (repescagem)

Maria J. Lourinho

Depois dos comentários e respostas ao meu último post - "Estamos a morrer muito" - em que inclusive me foi perguntado qual o objectivo dos meus posts, mas também me foi sugerido que metesse os textos na gaveta, lembrei-me de republicar o post do dia 8 de janeiro de 2021  a que dei o título de "Falar Claro". Aqui fica, de novo.

Falar Claro

Alguma informação que não julguei necessária de início mas que agora me parece que devo dar.

Tive um blog entre 2011 e 2015 em que escrevi, praticamente, todos os dias, sobretudo sobre a actualidade política.

Entrei também em 2011 no Facebook, onde fui um elemento activo e não um mero "espreita". Fechei a conta nessa rede no primeiro dia deste ano por estar cansada daquela rotina  -  "toma lá um like, dá cá o teu", e por ter clara noção de que muita gente tem ficado gravemente apanhada dos nervos, digamos assim, passando, por isso,  a escrever coisas antes impensáveis nelas. Não me apetecia continuar, portanto.

Fiz este blog, quase como um diário, em que registo coisas que li e achei belas ou interessantes, bem como a minha apreciação de livros que li (talvez para não esquecer), fotografias que disparei no telemóvel sem técnica nem presunção, alguns momentos (nunca íntimos) da minha vida, algum pequeno e despretensioso mini-conto que me apeteça escrever.

Nenhum familiar ou amigo sabe da existência deste blog, porque não encontrei necessidade em passar essa informação; no fundo, isto não passa duma coisa minha, sem importância.

Sei que as pessoas visitam e comentam blogs esperando retribuição. Porém, no meu caso, quem por aqui passar, terá sempre a minha simpatia, talvez até goste ou se identifique com o que aqui posto, mas não deve esperar visitas de retribuição. Tudo isso eu já fiz, mas já não faço.

Não conto visitas, não conto comentários. Posso publicar os comentários, ou não. Este blog não é democrático, mas tentará ser afável para quem passar.

Resumindo: antigamente, nas casas portuguesas, era comum encontrar um azulejo na parede que dizia: "seja bem-vindo quem vier por bem". Então, é isso, e só isso.

09
Ago22

Estamos a morrer muito

Maria J. Lourinho

"Há 100 anos que não havia mais de 10 mil mortes todos os meses."

"A mortalidade materna (óbitos devido a complicações da gravidez, parto e pós-parto) atingiu o nível mais alto dos últimos 38 anos com 20,1 óbitos por 100 mil nascimentos em 2020."

"O excesso de óbitos em Maio era o triplo da média da União Europeia."

São frases que retirei dos jornais de hoje. Já se desconfiava que a degradação do SNS e o foco único e prolongado na pandemia deixaram muitas doenças por detectar e tratar, sobretudo junto dos mais pobres e vulneráveis.

Estamos a morrer muito. Estamos a morrer demais.

Mas parece que ainda não nos apercebemos disso, e não sentimos necessidade de exigir ao governo que  justifique e, sobretudo, que nos diga que políticas vai desenvolver para inverter esta nossa marcha para a morte.

04
Ago22

Nasceu

Maria J. Lourinho

Nasceu pequenino, chorão e comilão, mas nessas primeiras horas também me apresentou ao mais misterioso de todos os amores. Forte, inabalável, corajoso, profundo, guerreiro, doce, eterno, assim é o amor de mãe para filho.

Se eu fosse dada a filosofias esotéricas, reencarnação, new age etc., etc., diria que fui abençoada por ele me ter escolhido para mãe; como não sou, digo que os melhores genes de duas tribos se uniram neste homem que é meu filho e que faz hoje anos.

Porque é inteligente, bonito, trabalhador, humano, sensível, criativo, leal, honesto.

E tenho a certeza que não estou a exagerar com os meus olhos de mãe, pois, de cada vez que ele me apresenta alguém mais velho do que ele, logo sou olhada com genuína simpatia, e não é mesmo nada raro que me digam: muito prazer, e parabéns pelo seu filho.

Ele faz anos hoje, e eu agradeço à vida tê-lo posto no meu caminho e ter feito de mim, também, uma pessoa melhor.

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