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Última Paragem

O blog do bicho do mato

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Última Paragem

29
Jul21

Não telefone, vá!

Maria J. Lourinho

As Unidades de Saúde Familiar, que começaram a funcionar há cerca de década e meia, substituindo muitos dos antigos centros de saúde, têm sido, duma maneira geral, um ganho para o utente. Com mais valências e a sua consulta aberta, as pessoas encontram nelas, em geral, a resposta às suas necessidades de cuidados de saúde primários com prontidão e profissionalismo.

Porém, e em Portugal há sempre um porém, é preciso que o utente não seja velho nem tenha mobilidade reduzida.

“Não telefone, vá”, parece ser o lema em vigor.

A minha mãe, de 94 anos, em Évora, tem a sua médica de família há mais de 20 anos numa destas USF, e tudo corre bem desde que seja rotina.

Acontece que a idosa senhora minha mãe, caiu em casa. Dada a idade, teme-se sempre o pior com uma queda mas, qual quê? Apenas muitas nódoas negras e dores num músculo da perna. Não achando necessário ir ao médico (nunca acha) tentou-se telefonar para falar com a médica.

Para abreviar a conversa: há três dias consecutivos que tentamos telefonar para a USF e nunca ninguém atende o telefone.

Quem for novo e desenvolto, está servido.

Se for velho e coxo, está lixado.

PS: há em Évora dois hospitais privados, mas nenhum tem consultas ao domicílio. Percebe-se – neste país quase não há velhos que de tal coisa precisem, e ainda bem porque, definitivamente, o país também não é para velhos.

27
Jul21

Gadget

Maria J. Lourinho

Completei mais um ano de vida e recebi um presente que me tem dado muita satisfação: um leitor de ebooks.

Continuo a gostar muito de livros – de os tocar, folhear, cheirar, pegar, pôr e tirar da estante, quero que eles façam sempre parte da minha vida, mas comecei a reparar que há livros enormes e pesados. Ainda não me tinha apercebido disso!!!!

Para esses, para os que não me interessam conservar comigo depois de lidos, (que as estantas não são infinitas) ou para aproveitar alguns gratuitos, o ebook reader é uma excelente maquineta.

E, sim, apesar de muito controlada, sou uma amante (facilmente viciável) de gadgets.

Nota: como quero ter cada vez mais tempo para ler, a partir de agora, publicarei no blog só de vez em quando.

26
Jul21

Otelo

Maria J. Lourinho


"Quem se quer orgulhar do papel do primeiro Otelo tem de estar preparado para admitir vergonha com o papel — por ação ou, pelo menos, por omissão — do segundo Otelo. E se é verdade que a maior parte de nós tem o luxo de afirmar, em liberdade e pela liberdade, a gratidão ao primeiro Otelo, também teremos de admitir que, para algumas pessoas — vítimas e familiares das vítimas —, a mancha que atribuem ao segundo Otelo tem um peso em sofrimento demasiado duro para as suas vidas. E quem acusa de memória seletiva aos que salientam o papel de Otelo no 25 de Abril fazendo por esquecer os anos 1980, não pode fazer discurso contra o terrorismo e a violência política em democracia nos anos 1980 branqueando o papel do terrorismo e da violência política de extrema-direita que tentou derrubar o 25 de Abril nos anos 1970."

...

Volto ao início. Quando morre alguém com um peso desproporcionado e contraditório na história, é comum dizer-se que “a história o julgará” ou que “ainda é cedo” para se fazer a história do seu papel. Mas não é para a história que é demasiado cedo; pode ser apenas para nós. A história recomeça sempre no dia seguinte. Se queremos, como eu quero, viver à altura de legados heróicos aos quais somos gratos, teremos também de saber viver assumindo as suas falhas e as suas manchas."

Rui Tavares, Público, 26 Julho 2021

07
Jul21

Velha (Alte Frau)

Maria J. Lourinho

Alte Frau.jpg

No seu livro de crónicas e ensaios Sinta-se Livre, Zadie Smith escreve sobre a representação da mulher na pintura e escolhe este trabalho de Balthasar Denner (Alemanha, 1685 – 1749), intitulado Alte Frau (Velha), e cito:

...”Não é como outros retratos no seu género. Não é o retrato reconfortante de uma avozinha. E também não é a imagem simbólica e animadora da sabedoria ou, pelo menos, se ela é, de facto, uma das menos enganadas, não parece que a forma de conhecimento que adquiriu lhe tenha trazido muita paz ou satisfação, como esperamos que a sabedoria traga.

Ela não tem um ar pacífico ou satisfeito. Aquela boquinha cerrada! Ela não olha com um optimismo paciente...e também não é grotesca ou cómica. Não. Ela, simplesmente, é.”

Assim deveríamos envelhecer todas, penso com os meus botões, simplesmente SENDO.

Mas, também, cada uma de nós devia ter direito ao seu Denner para registo de cada ruga numa obra-prima imortal. Porquê?

Ora, ora, porque, depois do tanto que são as nossas vidas, nós merecemos.

Imagem - Alte Drau, Balthasar Denner, Kunsthistorisches Museum, Viena

05
Jul21

Incorrecções

Maria J. Lourinho

Começo a semana muito, muito, incorrecta.

Eu costumava gostar da Catarina Martins, mas confesso a minha actual fartura dos seus sermões de bondosa madre superiora que, apesar da brandura da alma, tem de pespegar alguns ralhetes às noviças. Não há mais paciência (ou saco, como dizem os brasileiros).

É o tom, é ele que me irrita. Fico com brotoeja e até deixo de ouvir.

Azar! mais dela do que meu.

03
Jul21

Tudo o que Conta, James Salter

Maria J. Lourinho

James Salter (1).jpg

Quando todos os críticos resolvem pôr-se de acordo sobre um livro ou um autor, eu, que não me acho esperta como a maioria dos meus compatriotas, confio, e vou a correr procurar o livro para matar a incontrolável curiosidade que me toma conta da cabeça.

Foi o que aconteceu com o livro Tudo o que Conta, do escritor norte-americano James Salter.

Não serei esperta mas também não sou mentirosa. Se o fosse, faria coro, tecendo loas à prosa do escritor já falecido, que sempre teve poucos leitores, dizem, mas que, dizem também, parece ser “o suprassumo do suco da barbatana”.

Pois, como não sou mentirosa, direi apenas que o romance se me afigurou banal, muito autobiográfico, dizem, mas sem rasgos introspectivos, masculino até ao tutano, duma masculinidade hoje quase insuportável.

O herói do romance vai de mulher em mulher, confundindo sempre êxtase sexual com amor.

As descrições das suas amante são sobretudo físicas e das indumentárias por elas usadas, mas do que elas são, realmente, ficamos a saber pouco.

Na penúltima página, Salter escreve referindo-se ao seu personagem principal:

“Nessa tarde tinha andado a arrancar ervas daninhas no jardim e, ao baixar os olhos, tinha visto abaixo dos calções de ténis um par de pernas que lhe pareceram de um homem mais velho. Tinha de se lembrar de de não andar por casa assim em calções quando Ann lá estava, provavelmente nem mesmo vestir o quimono de algodão que mal lhe chegava aos joelhos, nem andar em camisola interior. Precisava de ter cuidado com essas coisas”.

É o reconhecimento da velhice a chegar, e é então que resolve levar Ann a realizar o sonho de visitar Veneza, dando assim ao leitor a ideia de que vai assentar.

De homens como Bowman eu costumo dizer que chegaram ao momento em que percebem que vão precisar é de uma enfermeira, e então, “assentam”.

Gostei de o conhecer, senhor Salter (gosto sempre de conhecer), mas o nosso relacionamento, se calhar, fica por aqui.

01
Jul21

Pergunta

Maria J. Lourinho

Screenshot_20210701-101518_Messages.jpg

Recebi este SMS hoje de manhã, como se pode ver. Ora, eu não agendei nada porque estou vacinada com as duas doses.

Acresce que conheço uma pessoa de 43 anos que agendou logo que foi possível, já várias vezes pediu confirmação e...nada. Logo, está sem vacina ainda.

Pergunto: serão mesmo as pessoas que faltam ou os serviços que metem os pés pelas mãos?

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