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Última Paragem

O blog do bicho do mato

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Última Paragem

23
Nov20

Interrogação

Maria J. Lourinho

"Isto de os portugueses, agora, terem filhotes e filhotas é o máximo. Realmente um atraso." - escreve a senhora que nunca teve filhos e que se podia dar melhor com as vírgulas.

Quando foi que ficámos assim rancorosos, raivosos, ácidos e armados em finos?

 

17
Nov20

O Comboio da Noite, Martin Amis

Maria J. Lourinho

Martin Amis (1).jpg

O que é que me apetece dizer sobre Martin Amis e o seu livro O Comboio da Noite que acabei de ler? Na verdade, nada!

O livro não é um policial mas é uma história de polícias, mais concretamente da mulher polícia com nome de homem – Mike, a tentar descobrir as razões do suicídio da linda e sucedida filha do seu antigo chefe e amigo, Tom.

Não me apetece dizer nada porque, de facto, não percebi nada, embora tenha lido as 178 páginas do livro sempre convencida que, no fim, iria perceber. Não.

Socorro-me da badana de um outro livro do autor para o caracterizar - cínico, satírico, afectado. Concordo.

Depois: divertido e profundo. Discordo. Tudo neste livro é soturno.

“Um dos mais importantes autores ingleses dos nossos dias”, bom, quem sou eu para contradizer?

Só sei que esta leitora não torno à “casa” dele, seguramente.

Afinal, talvez os seus livros “com visões distorcidas ou invertidas dos mundos que conhecemos” - aqui voltei à badana – talvez os seus livros, dizia eu, sejam só para alguns, entre os quais, decerto, não me incluo.

Na foto do Google, Martin Amis

15
Nov20

Short story (Todas as manhãs)

Maria J. Lourinho
Acho que quando ele nasceu a beleza não estava ao serviço.

Ou estava, mas disse que ia tirar meia horinha e já voltava, pensando, na verdade, em tirar o resto do dia.

Talvez por culpa daquela interminável meia horinha, arrasta discretamente uma perna, mas isso ele disfarça; o pior é que é tão estrábico, tão estrábico, que parece estar sempre a perscrutar os céus – será que chove, será que não chove...

Quando nos cruzamos, o que acontece todos os dias, invariavelmente com a cabecinha para cima, dá os bons dias e acrescenta, galante - “é sempre um prazer vê-la”, ou “gosto sempre de a encontrar”.

Eu confesso: primeiro desconfiei, mas depois gostei.

Ao contrário do que me ensinaram, mulher séria tem ouvidos, sim!, e depois de ele passar e falar, sei que sorrio, sendo que, por este tempo, o sorriso por baixo da máscara é um bem raro e precioso
11
Nov20

Short story (A menina Alice)

Maria J. Lourinho

Quando a menina Alice passava, os homens olhavam. E depois viravam-se para ver do outro lado.

Encorpada, peituda, pernas grossas mas torneadas, lábios invariavelmente pintados de vermelho vivo. No sorriso, a abertura entre os incisivos superiores dava-lhe o toque indesmentível de pertença ao povo - urbano, embora - que não nega à carne o que lhe é devido.

Dizia-se que dormia com o filho do patrão, belo homem que veio a casar com a beata mais feia da terra e a morrer novo.

Ela também casou, mas tarde, com um viúvo, baixinho e simples, de quem não tardou a ficar viúva também.

Saudades da menina Alice.

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