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Última Paragem

O blog do bicho do mato

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Última Paragem

22
Jun24

Daniela

Maria J. Lourinho

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Daniela Martins, mãe das gémeas, mente muito, e mente mal.

Contudo, não merecia o que lhe fizemos na AR.

Ela só foi Mãe, e eu lembrei-me da PIDE outra vez.

Haverá muitos infractores da lei, mas não ela.

Espectáculo grotesco e desumano, ontem, de origem "chegana" mas apoiado por outros.

Triste, de novo.

A foto é minha mas pode levar, como habitualmente.

A flor é para a Daniela

21
Jun24

Um post elitista

Maria J. Lourinho

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Pode ser que seja elitista, mas é o que penso há muito tempo e não tenho mudado de opinião como, por vezes, acontece.

Há muitas pessoas que consideram que não vale a pena entrar em alguns cursos universitários, se o mercado está saturado desses profissionais e os jovens ficarão frustados com a falta de oportunidade para aplicarem o que aprenderam.

Defendo veementemente o contrário. Para além de não desistir do sonho, a formação, qualquer formação universitária, é um bem que se ganha para toda a vida. Ela abre as portas, pelo menos, para encontrarmos as ferramentos que nos permitirão ir mais longe no saber, no fazer, no entendimento das coisas.

Vem esta ladaínha a propósito dos quadros maiores do PCP.

Leio que surgiu uma carta assinada por 30 ex-dirigentes da CGTP, afectos, na sua maioria, ao PS e Bloco, “alertando para a "ausência de respostas" da central sindical aos novos problemas e desafios dos trabalhadores e acusando-a de "deriva sectária" e de "falta de transparência". (Diário de Notícias).

O Secretário Geral da Organização, Tiago Oliveira, membro do PC, responde que melhor democracia interna é impossível.

Tiago Oliveira tem 43 anos e só fez o nono ano de escolaridade; abandonou a escola, portanto, ainda adolescente e num tempo em que já toda a gente podia estudar. É operário.

Paulo Raimundo, Secretário-Geral do PCP, tem 47 anos, foi operário mas há 20 anos que é funcionário do seu partido. Estudou até ao nono ano também.

A formação académica nota-se no discurso e na eficácia da mensagem que transporta, e nestes dois homens, responsáveis máximos de duas importantes organizações da esquerda portuguesa, nota-se muito.

Não só se nota como não toca as camadas da população mais jovens e educadas, por muitas dificuldades que estas vivam. Mais facilmente os jovens serão levados por Cotrim de Figueiredo que por Paulo Raimundo.

Defender “os trabalhadores e o povo” é bonito, mas é preciso saber fazê-lo em consonância com os tempos de acelerada transformação que vivemos.

Ora, o PCP parou no tempo, e continua a achar que “a classe operária” seja lá isso o que for em 2024, deve ser a classe dirigente “dos trabalhadores e do povo” numa democracia burguesa.

O tempo o tratará como trata tudo o resto que não seja capaz de se renovar.

Aliás, já começou.

19
Jun24

À escuta

Maria J. Lourinho

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O Ministério Público português  vive sentado, à escuta.

Escuta tudo e todos, durante anos se lhe apetecer, como quem não tem mais nada que fazer e, se calhar, não tem mesmo.

Que me lembre, nem  a PIDE escutava tanto.

Se eu fosse governante, não telefonava nem à minha mãe, e conversas, só no jardim.

O nosso estado de direito está muito torto, não está?

 

14
Jun24

O ministro dos professores

Maria J. Lourinho

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Tenho a certeza de que o senhor ministro, quando fez este anúncio, com o seu ar sério de catedrático minhoto, não pensou que estava a contar uma anedota, mas juro que foi assim que interpretei.

Só pode ser anedota porque, ninguém que hoje em dia conheça as escolas, o seu funcionamento, os alunos do terceiro milénio, e a vida dos professores, pode entender como coisa séria uma proposta para lecionarem até aos 70 anos por mais 750 euros BRUTOS.

Os professores sexagenários que ainda estão no activo, contam os dias para a reforma, e temem não conseguir chegar lá, tal o desencanto, a impotência, mas sobretudo o cansaço.

E já nem falo nos aspectos nefastos para os alunos, com escolas cheias de professores que podem ser seus avós ou bisavós, verdadeiras brigadas do reumático, incapazes de os entenderem ou acompanharem.

Entre os muitos milhares de professores, haverá alguns poucos que se sentem capazes de continuar, mas a maioria, perante tal proposta deve sentir que está a ser gozada depois de ter sido esfolada.

06
Jun24

Sentido de oportunidade

Maria J. Lourinho

cega.jpg

 

Desde Novembro que o "caso das gémeas" brasileiras anda nas bocas do país. Envolve muitas pessoas, entre elas algumas pessoas do Ministério da Saúde, ao tempo dirigido por Marte Temido. Mas é a dois dias das eleições europeias, em que ela é cabeça de lista pelo PS, que a judiciária resolve fazer buscas no referido ministério.

Ele há coincidências...do diabo.

O processo de Manuel Pinho, ex-ministro socialista de José Sócrate, ocupou 11 anos da vida de dois procuradores. Mas é a dois dias das eleições europeias que ele é condenado a 10 anos de cadeia.

Ele há coincidências...do diabo.

Pode-se acusar a Justiça em Portugal de muitas coisas, mas nunca de falta de sentido de oportunidade. Isso, não!

 

29
Mai24

Formações

Maria J. Lourinho

a115130.jpgFiquei ontem a saber, pela mãe de um jovem vizinho que, terminado o 12º ano, e como sempre sonhou ser piloto, candidatou-se à Força Aérea.

Feitas as difíceis provas, foi seleccionado e está agora a fazer a sua formação na Academia da Força Aérea em Pêro Pinheiro.

Mais, fiquei a saber que, terminada a formação, tem de ficar catorze (14) ANOS na Força Aérea Portuguesa, ou terá de ideminizar o Estado.

Acho bem, muito bem. São aprendizagens caras, pagas por todos nós, para nos servir a todos.

Só não entendo, então, por que "cai o Carmo e a Trindade" quando se sugere que, dada a nossa falta de médicos, depois de formados estes deviam permanecer no SNS, obrigatóriamente, dois ou três anos.

O curso de medicina é igualmente caro, pago por todos nós e deve servir todos nós.

E não me venham, feitos anjinhos, perguntar por que não fazer o mesmo com engenheiros ou advogados, porque  não se compara o que não é comparável. Como, aliás é tão  fácil de perceber que só não percebe quem não quer.

27
Mai24

Lembrar

Maria J. Lourinho

Papoilas, Nikias Skapinakis, 1997.jpg

27 de Maio era o teu dia, pai.

Desde que, verdadeiramente, “cresci” para adulta, que sei que ninguém me amou como tu.

Nem ascendentes, nem descendentes, nem outros amores.

Homem de poucas palavras e de ainda menos demontrações de afecto (homem do seu tempo, portanto), cedo aprendi a ler nos teus olhos esverdeados, o amor, a solidariedade e, quantas vezes, o orgulho em mim.

Tudo sempre incondicional, como só os pais se permitem.

Passados tantos anos, continuas a fazer-me falta.

Nalguns dias, uma muito áspera falta.

A foto reproduz uma pintura de Nikias Skapinakis de 1997

23
Mai24

Liberdade de expressão sombria

Maria J. Lourinho

xx.jpg

Nos jornais, há prosas para todos os gostos sobre limites ou a ilimitada liberdade de expressão na Assemblaia da República. E há escritos muito bons a partir de ambas as posições.

Mas eu continuo na minha: a liberdade de expressão sem baias, (podendo ser estas apenas a de um discurso socialmente decente), aceitando como bom ou irrelevante o paleio que traz ao de cima o pior que há em nós, vai levar-nos ao retrocesso.

Mais cedo do que tarde, encontrar-nos-emos a lutar pela mais elementar libertade de expressão, como aconteceu com tantos, antes do 25 Abril. É só uma intuição, e não é das boas.

Eu posso beber muito álcool todos os dias, posso com ele ver a vida mais colorida, mas não poderei queixar-me quando a cirrose me levar à tumba. 

Os caminhos da imoderação, em tudo, são sempre perigosos. É até bem possível que nos percamos neles.

20
Mai24

Não, não pode

Maria J. Lourinho

Também eu já participei aqui no debate que anda pelo país, depois das acusações feitas por Ventura aos turcos, e da autorização dada pelo Presidente da Assembleia da República para isso e muito mais, ao dizer que o deputado André Ventura tem “absoluta liberdade de expressão para se exprimir” e ao responder a Alexandra Leitão "no meu entender, pode" (ter um discurso racista ou xenóbofo)

Claro que no meu entender, não, não pode. E no entender de Aguiar-Branco também não poderá quando o deputado se lembrar de  dizer que os judeus são gananciosos, ou que o próprio Aguiar-Branco nunca se distinguiu pela honestidade - mentiras que na boca de Venturas passam a ser verdades.

Nesse dia, tenho a certeza, vamos voltar a falar sobre “absoluta liberdade de expressão para se exprimir”.

É que pimenta...etc e tal...já sabemos o resto.

13
Mai24

O cão que passeia o homem

Maria J. Lourinho

pug-deitado.png

No meu bairro, há um homem muito velho que, duas vezes por dia, passeia o seu cão pug, que não é velho, é muito, muito velho, e como todos os animais na sua situação, cansa-se.

Ambos se apresentam sempre muito limpos e dignos

Quando está cansado, o pug pára, senta-se ou deita-se e, como quem está na praia ou na esplanada e tem todo o tempo deste mundo, fica a ver quem passa,  o tempo que lhe apetece.

O homem velho, de paciência e amor infinitos, segura a trela e fica ali de pé, à espera, olhando também quem passa mas, mais frequentemente, para o próprio cão. Se este lhe apetecer ficar no meio do passeio, o homem velho fica também, e nem a uma parede se encosta.

Sempre me parece que quem manda ali  é o cão, e que é o cão que passeia o homem, e não o homem que passeia o cão.

No fundo, é a velha história - em todos os casais, há um que ama (neste caso, o homem) e outro que se deixa amar (neste caso, o cão)

Seja como for, a cumplicidade na quarta idade é coisa sempre linda de se ver.

Boa semana.

10
Mai24

Seremos todos chineses

Maria J. Lourinho

Qu.jpg2

Mariana Mortágua, e outros dirigentes de esquerda, andam a dizer que trabalhamos demasiados dias e horas.

Eu concordo, mas ontem encontrei um artigo no Expresso sobre trabalho na China, com o sugestivo título:

“Não sou vossa mãe, só me interessam os resultados”, diz vice-presidente da gigante chinesa Baidu aos trabalhadores

E leio a seguir:

"Qu Jing, vice-presidente da Baidu com o pelouro das relações públicas (RP), publicou vários vídeos no Douyin, uma versão chinesa do TikTok, onde ameaçou os funcionários da empresa que protestassem contra as práticas de trabalho da empresa. “Posso fazer com que fiquem desempregados e posso tornar impossível que voltem a ter trabalho nesta indústria”, afirmou. “Não sou a vossa mãe, só me interessam os resultados”, acrescentou.

A vice-presidente e diretora de RP acrescentou que precisava de empregados suficientemente dedicados para fazerem 50 dias seguidos de viagens de negócios e que não se importava se isso afetasse as suas vidas pessoais.

Qu Jing deu-se como exemplo e disse que o seu empenho era tal que nem sabia qual era o ano de escolaridade do filho. "

Fiquei a pensar que estamos mais perto de sermos todos chineses do que da verdade da Mariana Mortágua.

E que, se não nos pusermos a pau, continuaremos a caminhar tristemente para uma  "viagem de negócios" sem retorno.

Nota: no foto que inseri no post, vê-se a tal senhara Qu. Todos sabemos que as bonecas de porcelana não têm alma e se cairem ao chão e se partirem também não tem mal nenhum.

07
Mai24

Resumindo

Maria J. Lourinho

Ana.jpg

"Em resumo, Ana Jorge é acusada de incompetência, é corrida do cargo à pressa para não ser indemnizada e depois é ameaçada de cometer um crime se deixar as funções que incompetentemente exerce. Não sei se Ana Jorge é má ou excelente provedora da Santa Casa. Mas isto eu sei: o tratamento de que foi alvo é uma absoluta obscenidade. O mundo da política pode ser feio, porco e mau, como o filme de Ettore Scola, mas convém impor alguns limites ao descaramento. Quem trata pessoas assim não é gente séria."
João Miguel Tavares, Público, 7 Maio 2024

Resumindo, é isto. Eu costumava ficar envergonhada, com vergonha alheia, mas como era quase todos os dias, as pessoas começaram a achar que eu tinha rosácea. Desisti. Todos os dias...não dá.

01
Mai24

Paul Auster 1947-2024

Maria J. Lourinho

Paul 2.jpg

Nos anos 1990, comecei por ler um mini-livro que se chamava O Caderno Vermelho.

Meia  dúzia (nem tanto, talvez) de acontecimentos casuais. Começou aí a minha "febre" Paul Auster. Acho que li tudo o que estava publicado, e o que continuou a ser publicado, com verdadeira devoção.

Paul Auster era o escritor do acaso, narrado em sucessivas histórias de cadência narrativa pior que cola-tudo; era-me impossível largar o livro e a história.

Devo-lhe muitas horas de puro prazer literário.

Morreu ontem, de cancro, aos 77 anos.

Obrigada, Paul.

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